Sujeitos

2009/01/26

Não é que houvesse muito a dizer. Palavras, afinal, são nada mais do que sons concatenados. Fato era que falaria não de junção, mas de separação.
Telefone nas mãos, frio na barriga. Aperta o oito, o sete, o cinco, o sete, quatroquatroquatro, o dois. Dois toques. Dois alôs. Duas orações sem sujeito de dois sujeitos. Desliga.
Trataria pessoalmente, como nos velhos tempos. Os pés descalços no chão frio caminham. Portas, dividindo o espaço responsáveis como sempre, abre, fecha,segue,abre,fecha, em frente, para, pensa, sente, tensão, sabor, bate, tosse. Sorri, sorriem
(ecos falsos de humanidade varrida)
entra, tranca, cala.

— Tá tão quieto. Que acontece?
— Pensando… tem algo que precisa
— Sorvete? É pistache.
— Sim, é muito bom.
— Que dizia?
— Dizia que… Não dá mais.
— Não dá mais?
— Nós.

Sujeito revelado. O sujeito trás a verdade, tira sua relatividade absoluta e o posiciona de maneira que não há discussão, nem evasão, nem omissão que mudem a história que vem a seguir. Soubesse o sujeito do peso em suas costas faria oração para se ocultar, para sumir. Sujeito em paz, solitário, pesado e pesaroso; que entre, porém, a ação.

— Acabou. Eu não te quero mais. Não te tolero. Nem mesmo te sinto. Passou, foi, já era.
— Porque?
— Decidi assim. Não me force a listar adjetivos. Vou-me, e você, que fique.

Foi. Ficou. Fim.

As pessoas rosas

2008/03/05

Existem pessoas cuja cútis torná-se rósea em alguma situações… e existem aquelas que são rosas permanentemente…
Tal qual as flores essas pessoas são sob determinado ângulo belas, normalmente são cercadas por outras pessoas/flores, mas quase sempre são a única rosa do vaso… Podem alegar que existem duzias de rosas agrupadas nos buquês, mas estou aqui falando de vasos… Por favor não confundam lingüagem metafórica com floricultura….
Mas pq as rosas são únicas entre outras flores?

Porque a partir de sua diferença de todo e qualquer tipo de flor é que se forma sua beleza e sua capacidade de alegrar as outras flores que desfutam de sua companhia… mas as rosas ainda assim estão sempre solitárias… Qualquer estudioso de genética ou indivíduo que não durma nas aulas de biologia sabe que rosas tem um código genético próprio incompatível com qualquer outra flor, já que se fosse compativel tais flores seriam da mesma espécie…

Rosas se dividem em dois tipos. Essa divisão deriva de um conflito interno-externo. Se eu fosse Freud diria que as flores na posição de orgão reprodutores não se sentem bem om sua sexualidade à flor da pele (trocadilho besta)… mas não sou Freud por isso vou explicar de uma maneira que não envolva símbolos fálicos ou o desejo/necessidade de tomar o lugar de seu pai.
Rosas sofrem por serem tão diferentes, tão raras e tão desejadas. Frequentemente apenas desejam água fresca (coloque água gelada para a sua rosa, ela se conservará mais) e luz não muito ofuscante, mas não sabem bem como fazer para conseguir isso já que os rizóides não são um meio de condução razoável, isso causa o conflito inicial. O desejo de algo maior do que tudo (para seres clorofilados água e sol adequados é tudo) acaba por se desdobrar em perturbações menores que moldam a personalidade das rosas…

O primeiro tipo vê que não é capaz de atingir seu objetivo econtenta-se com o vaso que lhe foi destinado, assume a vida de alegrar e confortar as outras flores e numa tentativa de cobrir o vácuo que a busca infrutífera (e nem ao menos buscada) causa cobre-se de futilidade… Essa é a rosa vermelha.

O segundo busca pela água fresca e pela sombra suave de toda e qualquer forma. Começa a manipular os outros seres do vaso para alcançar seu objetivo. E depois de algum tempo de preparação tenta rolar o vaso até o paraíso da sombra e água fresca utilizando o fototropismo e o geotropismo de todos os vegetais simultaneamente… como pode-se notar nossa pequena rosa não possui muito neurônios (um dia a evolução o dará) e essa estratégia acaba dando errado, o vaso capota no sol do meio-dia. Em pouco tempo todas as outras flores murcham e morrem… a rosa vive tempo suficiente apenas para ver a grande cagada (que para as plantas é algo bom, mas não nesse caso) de sua vida e perecer depois solitária entre tantas flores por culpa de sua ambição demasiada… Essa é a rosa rósea (não acho termo melhor para descrevê-la).

Temos por fim o tipo mais raro de rosa, a rosa negra. Uma rosa que ao ver que sua busca é possível de ser alcançada, mas muito difícil utiliza todos os recursos à seu favor, mas tomando o cuidado de não ferir as outras flores (rosas negras não tem espinhos). Seus esforços sempre são recompensados, se não com o cumprimento de sua meta, ao menos ganha a posição de destaque no vaso e daí passa a receber maiores cuidados por parte do jardineiro. E sem ao mens perceber, seu esforço também conforta outras flores que talves passassem necessidades no vaso, mas por timidez ou temerosidade não assumiam o problema amarelando as folhas para avisar de seus problemas.

Sobre a rosa branca não ouso mensionar… é tão rara que não pode mais ser achada por essas terras… rosas brancas são rosas puras, que em seu grau de pureza se felicitam ao ver a alegria dos outros com sua presença e não buscam mais nada além disso… Rosas brancas sempre assumem uma tonalidade ao envelhecerem mais ou se não assumirem nenhuma cor, descobre-se que não eram rosas… a convivencia com clorofilados confunde e corrompe……….

Texto aguardando revisão

Amor, s. m. Afeição acentuada de uma pessoa por outra de sexo diferente; objeto dessa afeição; conjunto dos fenômenos que constituem o instinto sexual; grande amizade; apego a coisas; sensualidade; cópula; paixão; entusiasmos. /S. m. pl. Namoro; pessoa amada; a quadra em que se ama.Paixão, s. f. Sentimento forte e profundo como o amor, o ódio, etc.; movimento impetuoso da alma para o bem ou para o mal; diz-se particularmente amor excessivo, ardente, da inclinação pronunciada de um sexo pelo outro; entusiasmo; grande mágoa; cólera; predileção; objeto de afeição intensa, ardente, excessiva; vício que domina; parcialidade; alucinação; sofrimento prolongado; martírio de Cristo ou dos santos martirizados; parte do evangelho em que se narra a paixão de cristo.

Excessivo, adj. Que excede; exagerado; demasiado

Exceder, v. t. Ir além de; ser superior a (em valor, extensão, peso etc.); levar vantagem a; ultrapassar. /V. p. Ir além do que é natural, conveniente ou justo; irritar-se; fatigar-se; apurar-se.

Amor é afeição acentuada… o quão acentuada para ser amor e não ser paixão, posto que paixão é a afeição excessiva e é um vício. Estar apaixonado é estar viciado em alguém? Será que é por isso que o amor é superior à paixão, porque quem ama bebe socialmente da pessoa e quem é apaixonado é um alcoolatra? Pode ser… mas então deveria evitar-se a paixão e consagrar ao amor as mais belas e ternas criações da humanidade, entre ela as crianças. Agora um raciocínio matemático… Amor pertence à paixão ou a paixão pertence ao amor. Talves sejam grupos separados com uma intersecção (doentia talves ou perfeita…) pequena.

Não é raro ver pessoas declarando seu amor às outras enquanto quem vê a situação por fora diz que é só paixão, fogo de palha. Talves seja desdém, talves que está fora entenda melhor o que acontece. A paixão, enquanto vício, leva deve ter sintomas a longo prazo imperceptíveis a primeira vista. Já o amor por ser o mais sublime dos sentimentos representaria a cura para os males da humanidade. Amai-vos uns aos outros como eu vos amei, frase dum cabeludo rebelde para a época dele. Ele amava a humanidade e desejou que todos se amassem, talves fosse o ideal de ascenção dele. O amor purificando a existência de tal forma que livraria todos dos pecados. Raciocínio interessante, mas creio que isso levaria ao amor excessivo que caracteriza a paixão. Que todos se viciem uns nos outros… com a dependencia interpessoal o preço de uma pessoa aumentaria no mercado, gerando um possível e provável crack na bolsa sentimental. Como a história pode comprovar quebras em bolsas de valores (sejam eles quais forem) não são legais. O preço dos sentimentos ficando cada vez mais caro provavelmente enriqueceria especuladores malévolos e levaria à uma desigualdade afetiva com os ricos cada vez mais ricos e os pores cada vez mais pobres. Um problema grande surge e com certesa os menos afortunados vindos das classes baixas apelariam para a marginalidade e uma onda de furtos afetivos começaria. Primeio pequenos furtos de atenção, depois o roubo de sentimentos e rapidamente algum gênio do crime iniciaria a era dos sequestros relâmpago. Uma vítima que parece ser rica é sequestrada e todos seus bens afetivos saqueados, após esvaziar a conta corrente sentimental do pobre coitado ele seria largado em alguma esquina suja do submundo… creio que estou me desviando um pouco do assunto e delirando… qualquer um com um pouco de sanidade pode afirmar que não existe essa criminalidade com os sentimentos alheios.

“De que vale a sanidade num mundo em que os homens sãos matam uns aos outros em nome do dinheiro?”

Partindo do principio de que amor é uma moeda não é difícil chegar na conclusãod e que o amor é também uma medida de status. Status poderia ser caracterizado como o resultado de sucesso social. Dinheiro não compra felicidade, logo não basta ter amor para ser feliz. Segundo a opinião geral quanto mais status alguém possui mais feliz esse indivíduo é, do contrário o status seria parcialmente vazio. Ser amado não traz felicidade.

“Um homem é caracterizado pelos seus pequenos vícios”

Um vício funcional para caracterizar um homem são suas paixões. Diga-me quem ama e direi quem és, essa frase não foi falada pelo cabeludo supracitado porém é bem ao estilo dele. Analisando os casais que passeiam por ai nas ruas… Vemos casais de preto, de cores piscantes, com chapéus de cowboy e coisas do gênero. Geralmente as pessoas amam gente parecida com elas mesmas. Seria isso uma forma de exteriorizar o egocentrismo inerente à existência humana sem ser socialmente desprezível?É uma hipótese……… desprezível. Amar é fazer seu a felicidade de quem você ama ser o caminho para a própria felicidade. Egocentrismo! O amor é contraditório como já foi explicado em 2 quartetos e 2 tercetos por um lusitano. Esse mesmo poeta segundo as lendas sacrificou a mulher que amava para salvar sua obra. Há os que dizem que amava mais sua obra do que sua mulher… Seria ele homossexual? Seria ele um artista estúpido? Acreditaria ele que o livro serviria de bóa e sua mulher não?

Existem aqueles que amam a arte. Viver é a maior expressão artística possível de o homem criar. Arte é enquadrar um aspecto da existência humana em versos, sons cores ou formas. A arte e o amor são dois axiomas que não cabe ao homem discutir. Ou não.

“Amor e arte são axiomas que explicam-se um ao outro.”

Acho que falei demais por hoje…… e como foi dito acima. O amor é um axioma. A paixão é o amor demasiado. Amor e paixão são aspectos instrínsecos da vida. Arte é um aspecto da vida….

Amor e paixão são Arte.
Arte não se discute, apenas se aprecia.
Apreciem o amor. Apreciem a paixão.
Apenas isso basta.
Todo o mais é excesso.